quarta-feira, 2 de julho de 2008

O Princípio...

«Desde muito cedo tive o gosto pelas artes, em especial pela pintura e pela música. E desde que me conheço como aluna sempre reconheci nos professores (sobretudo em alguns muito especiais) um exemplo a seguir.

Gostei muito de alguns professores e ao mesmo tempo que ia aprendendo as matérias das aulas também fui aprendendo modos de estar e de interagir com os alunos, que os permitiram formar-nos não só em termos académicos, preparando-nos para o cumprimento do programa escolar daquele ano, mas também, e o que acho fundamental, em termos humanos. Por isso, quando troquei o papel de aluna pelo de professora foi com o maior gosto que abracei esta profissão.

O projecto desenvolvido este ano lectivo no Atelier de Pintura é fruto do sonho, do trabalho e do empenho de muitos anos, de estudo, de observação e de idealização.

As primeiras “cobaias” deste projecto foram a Sara e o Vasco, dois meninos muito interessados, inteligentes e cheios de imaginação, ansiosos por saciar a sua sede de conhecimento, a sua vontade de experimentar materiais e modos de pintar, isto é de pôr mãos à obra, no sentido literário do termo, contactar directamente com as tintas, utilizando todos os seus sentidos, experimentando o imenso prazer que é a pintura.

O Atelier de Pintura foi composto por vários temas (conjuntos de quatro sessões de duas horas) onde aprenderam técnicas e modos de pintar. A primeira parte consistiu numa introdução à pintura, na primeira sessão em termos histórico-artísticos, nas seguintes em termos práticos, através da experimentação de todos os materiais que iriam usar durante o ano. Seguiu-se o aprofundamento de vários temas, cada um deles relacionado com um movimento artístico e com um género de material e de suporte.

Cada um desses temas, que percorreram a pintura ao longo do século XX, teve um enquadramento histórico e artístico, transmitido através de uma pequenina história, apresentada na primeira sessão, escrita com intenção para as aulas, na qual o Vasco e a Sara eram os próprios personagens.

E assim, a brincar, ora a ouvir as histórias (com referências ao seu modo de ser e às peripécias das aulas) ora a pintar com gosto, os pequenos artistas foram crescendo, crescendo... e surpreendendo. Preparando-se, como o Vasco o disse, para um dia mais tarde chegarem a um ponto que esperam vir alcançar.

É claro que esse ponto se apresentará cada vez mais distante na linha do horizonte à medida que crescerem, aprenderem e desenvolverem o seu modo de pintar. Mas esta exigência é positiva e só demonstra a busca da perfeição que caracteriza todos os artistas, que permite a sua evolução pessoal e a evolução das artes a nível colectivo.

Espero que para o ano continuemos com o mesmo interesse e alegria! Obrigada pelos bons momentos e por demonstrarem que ensinar pintura a crianças não só é possível, como dá resultados muito positivos!»


Oeiras, 26 de Junho de 2004,

A professora,

Ana Sousa

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